Ars Rhetorica

sexta-feira, 7 dezembro 2007

Das pesquisas – I

Filed under: Uncategorized — tresoldi @ 6:22 pm

A maior diversão em ter uma efeméride destas são as pesquisas que trazem navegadores incautos a este porto. Morosos que querem se poupar tarefas (resumo de “A metamorfose-frank kafka”) e afeitos pelas mais singulares taras (prostitutas a foder nas florestas) aqui ancoram e, julgo, logo alçam suas velas para os ventos do nunca-mais.

Mas alguns que também não aguardo ao fugirem deixam a vontade de uma segunda visita. Como quem, guiado por Cloacina, esta manhã aqui veio buscar a “etimologia de venus”. E sendo a etimologia uma questão de honra…

O português “Vênus”, como se sabe, foi tramandado por seu nome latino Venus. A deusa é a do amor sensual, e foi este quem a batizou: com efeito, venus era “amor, desejo sexual, amabilidade, beleza, charme”, vindo da base proto-indo-européia *wen-, “buscar, ter anseios, desejar, satisfazer-se” (veja-se, em sustentação, o sânscrito vanas-, “desejo”, vanati, “desejos, amores, vitórias”; o avesta vanaiti, “ele deseja, ele é vitorioso”; o inglês arcaico wyscan, “desejar”, relacionado a to wish). Em suma, Vênus tem uma remota raiz comum com “vencer”.

Mas Venus (latino, sem acento) é de interesse também pelo que veio em função dela. Que “venéreo” e “venerar” são derivados a própria intuição o indica, mas curiosa é a etimologia de “veneno”: mais que “substância que altera ou destrói as funções vitais”, como nos dá o Aurélio, o latino venenum era inicialmente uma poção de amor (motivada, exatamente, por Vênus), que algumas experiências de pouco sucesso devem ter prejudicado a reputação.

Nesse sentido, é tão amável quanto a etimologia de “filtro”: a nossa aparelhagem para purificar líquidos tem sua origem no “filtro” como poção ou elixir (significado que ainda encontramos em registros mais altos, como em alguns parnasianos), cuja origem não poderia ser outra. “Filtro” vem do latino philtrum, adaptação do grego Φίλτρον [phíltron] vindo do verbo Φιλέω [philéoo], “sentir amizade, amar”, que encontrarmos, entre outros, na boa e velha “philosophia”, o amor pela sabedoria. O produto terminou por dar nome ao processo de seu preparo.

E não esqueçam do melhor dicionário etimológico on-line (infelizmente, só para o inglês):http://www.etymonline.com.

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