Ars Rhetorica

segunda-feira, 5 agosto 2013

Filed under: Uncategorized — tresoldi @ 4:45 pm

Thinking about Lojban…

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Welcome!

Filed under: Uncategorized — tresoldi @ 3:50 pm

It is great to have so many new readers here (thank you Boing Boing, thank you Cory!). Please share your ideas, say what you think, dispute my assumptions. We need it. 🙂

terça-feira, 11 dezembro 2007

Do estilo

Filed under: Uncategorized — tresoldi @ 2:30 am

Árduo seria discordar do Harold Bloom, quanto ao laureado partidário de novas Cortes de Tomar.

Só um crânio, mas velho, com idade entre um milhão e trezentos mil e um milhão e quatrocentos mil anos, E há certeza de que se trata de um homem, quis saber, subtilmente, Joaquim Sassa, ao que Maria Dolores respondeu com um sorriso de entendimento, Quando se encontram vestígios humanos antigos, são sempre de homens, o Homem de Cro-Magnon, o Homem de Neanderthal, o Homem de Steinheim, o Homem de Swanscombe, o Homem de Pequim, o Homem de Heidelberg, o Homem de Java, naquele tempo não havia mulheres, a Eva ainda não tinha sido criada, depois criada ficou, Você é irónica, Não, sou antropóloga de formação e feminista por irritação (José Saramago, A jangada de pedra, 1986)

domingo, 9 dezembro 2007

Qays enlouquecido

Filed under: Uncategorized — tresoldi @ 3:35 pm

Nizami, pela tradução de Colin Turner, pela tradução de Marisson Ricardo Roso, Laila & Majnun (Jorge Zahar Editor, p. 125):

Majnun invocou planeta por planeta, estrela por estrela, mas não recebeu resposta alguma. Os céus permaneceram calados, e a alma de Majnun gelou diante da insensível e fria beleza glacial dos astros. Os corpos celestes seguiram seus caminhos, desinteressados da situação de Majnun, inconscientes de sua aflição. Por que se preocupariam? Por que deveriam se interessar em ajudá-lo?

E então Majnun percebeu. Pela primeira vez tudo ficou claro. As estrelas não se importaram porque elas não poderiam se preocupar. As estrelas, assim como os grãos de areia sob seus pés, eram cegas, surdas e mudas! O espetáculo delas reluzindo era simplesmente um espetáculo. Sob aquela fachada esplêndida, eram apenas criaturas inanimadas, sem voz ou expressão. O que poderia significar o sofrimento de uma alma humana para elas?

E assim Majnun elevou sua face mais uma vez para os céus, mas agora, não para invocar as estrelas. “Elas são meros vassalos como eu”, pensou ele. “E onde há vassalos deve haver um soberano. Se a criação não me responde”, cismou ele, “talvez o Criador responda.”

Não apenas a angústia de buscar o que perco sem o persa original; há também uma vontade, que não quero trair pela investigação, de ver no amigo de Layli um tutor dos amigos de Beatrice e Laura, e em suas corças e antílopes o lobo de Gubbio. O soberano é, afinal, o mesmo e os protagonistas desta fábula se conheceram, não por acaso, em uma escola.

Majnun

sexta-feira, 7 dezembro 2007

Sobre ler livros uma vez somente

Filed under: Uncategorized — tresoldi @ 10:13 pm

(Surrupiado do Laudator Temporis Acti, cuja qualidade e o título horaciano só podem causar inveja)

C.S. Lewis, Of Other Worlds: Essays and Stories (New York: HBJ, 1967), p. 17:

An unliterary man may be defined as one who reads books once only. There is hope for a man who has never read Malory or Boswell or Tristram Shandy or Shakespeare’s Sonnets: but what can you do with a man who says he ‘has read’ them, meaning he has read them once, and thinks that this settles the matter?

Um homem iletrado poderia ser definido como o que lê livros uma vez somente. Há esperança para um homem que nunca tenha lido Malory ou Boswell ou Tristram Shandy ou os sonetos de Shakespeare: mas o que se poderia fazer por quem diz ‘ter lido’ os mesmos, no sentido de que os leu uma vez e crê ter com isto resolvido a questão?

Eis o porquê da Commedia estar sempre à cabeceira.

Das pesquisas – I

Filed under: Uncategorized — tresoldi @ 6:22 pm

A maior diversão em ter uma efeméride destas são as pesquisas que trazem navegadores incautos a este porto. Morosos que querem se poupar tarefas (resumo de “A metamorfose-frank kafka”) e afeitos pelas mais singulares taras (prostitutas a foder nas florestas) aqui ancoram e, julgo, logo alçam suas velas para os ventos do nunca-mais.

Mas alguns que também não aguardo ao fugirem deixam a vontade de uma segunda visita. Como quem, guiado por Cloacina, esta manhã aqui veio buscar a “etimologia de venus”. E sendo a etimologia uma questão de honra…

O português “Vênus”, como se sabe, foi tramandado por seu nome latino Venus. A deusa é a do amor sensual, e foi este quem a batizou: com efeito, venus era “amor, desejo sexual, amabilidade, beleza, charme”, vindo da base proto-indo-européia *wen-, “buscar, ter anseios, desejar, satisfazer-se” (veja-se, em sustentação, o sânscrito vanas-, “desejo”, vanati, “desejos, amores, vitórias”; o avesta vanaiti, “ele deseja, ele é vitorioso”; o inglês arcaico wyscan, “desejar”, relacionado a to wish). Em suma, Vênus tem uma remota raiz comum com “vencer”.

Mas Venus (latino, sem acento) é de interesse também pelo que veio em função dela. Que “venéreo” e “venerar” são derivados a própria intuição o indica, mas curiosa é a etimologia de “veneno”: mais que “substância que altera ou destrói as funções vitais”, como nos dá o Aurélio, o latino venenum era inicialmente uma poção de amor (motivada, exatamente, por Vênus), que algumas experiências de pouco sucesso devem ter prejudicado a reputação.

Nesse sentido, é tão amável quanto a etimologia de “filtro”: a nossa aparelhagem para purificar líquidos tem sua origem no “filtro” como poção ou elixir (significado que ainda encontramos em registros mais altos, como em alguns parnasianos), cuja origem não poderia ser outra. “Filtro” vem do latino philtrum, adaptação do grego Φίλτρον [phíltron] vindo do verbo Φιλέω [philéoo], “sentir amizade, amar”, que encontrarmos, entre outros, na boa e velha “philosophia”, o amor pela sabedoria. O produto terminou por dar nome ao processo de seu preparo.

E não esqueçam do melhor dicionário etimológico on-line (infelizmente, só para o inglês):http://www.etymonline.com.

quinta-feira, 22 novembro 2007

Policarpo Quaresma não lia Álvares de Azevedo

Filed under: Uncategorized — tresoldi @ 2:00 pm

Deliciosa citação que encontrei no “Formação da Literatura Brasileira” de Antônio Cândido, um dos principais tomos das próximas semanas:

Falam nos gemidos da noite no sertão, nas tradições das raças perdidas das florestas, nas torrentes das serranias, como se lá tivessem dormido ao menos uma noite, como se acordassem procurando túmulos, e perguntando como Hamleto no cemitério a cada caveira do deserto o seu passado.

Mentidos! Tudo isso lhes veio à mente lendo as páginas de algum viajante que esqueceu-se talvez de contar que nos mangues e nas águas do Amazonas e do Orenoco há mais mosquitos e sezões do que inspiração: que na floresta há insetos repulsivos, répteis imundos, que a pele furta-cor do tigre não tem o perfume das flores – que tudo isto é sublime nos livros, mas é soberanamente desagradável na realidade. (Manuel Antônio Álvares de Azevedo, Obras)

quinta-feira, 15 novembro 2007

Vênus purificadora

Filed under: Uncategorized — tresoldi @ 3:26 pm

Ao passo que conceituados acadêmicos seguem a sustentar que a mitologia romana era uma tradução da grega, aqui prestamos louvor a uma deusa muito omitida, Cloacina, regente dos esgotos. Antes dos comentários tornarem-se piadas escatológicas, cabe lembrar do mérito dos esgotos romanos para esta civilização da qual somos a descendência.
De provável origem etrusca e mencionada já por Lívio (iii, 48), Cloacina (ou, raro, Cluacina) é uma deusa que gradualmente tornou-se um sobrenome a Vênus e regia os rituais de purificação, por extensão também a Cloaca Maxima; segundo a lenda, durante a construção da mesma uma estátua sua fora descoberta pelos operários etruscos envolvidos. Em uma etimologia digna da tradição que inclui Isidoro e Heidegger, um certo Lactantius fazia-a resalir precisamente ao mais famoso entre os esgotos, desconsiderando a origem sustentada por Plínio, o velho, de que seu nome deriva do verbo “cluere” (“limpar, polir, purificar”) ou “como os antigos diziam purgare“, e do qual, por sinal, o próprio “cloaca” deriva:

Arbor ipsa in Europae citeriore caelo, quod a Cerauniis montibus incipit, primum Cerceis in Elpenoris tumulo visa traditur Graecumque ei nomen remanet, quo peregrinam esse apparet. fuit, ubi nunc Roma est, iam cum conderetur; quippe ita traditur, myrtea verbena Romanos Sabinosque, cum propter raptas virgines dimicare voluissent, depositis armis purgatos in eo loco qui nunc signa Veneris Cluacinae habet; cluere enim antiqui purgare dicebant. (Naturalis Historia, XV, xxxvi – grifo meu)

O Online Etymological Dictionary faz derivar “cluere” do PIE *klu- de mesmo sentido (pela curiosidade, no Isidro Pereira encontrei Κλύζω qual “açoitar com ondas; banhar, lavar, limpar” e nestas horas me falta um bom etimólogo por amigo). A derivação é confirmada pelo mito fundacional de que, após as sabinas raptadas prevenirem o derramamento de sangue entre Rômulo e Tito Tácio, ambos os exercitos teriam se purificado com brotos de mirta onde seria erigido o templo da Vênus Cloacina.

Cloacina Moneta

Já em época republicana e imperial, Cloacina era reverenciada neste pequeno santuário frente à majestosa Basilica Aemilia e diretamente sobre a Cloaca Maxima, aqui recriado a partir da moeda original acima:

Cloacina

A eleição de Cloacina como protetora do bem-comportado e puro sexo matrimonial não passa de um anacronismo que merece apenas esta nota de post-scriptum.

quarta-feira, 14 novembro 2007

De minhas artes plásticas

Filed under: arte, estética — tresoldi @ 1:00 am

As postagens sobre artes plásticas parecem ter revelado um gosto estético distante: destas obras tenho, via de regra, a opinião sobre aquela literatura tão engajada e tão acadêmica que já nasce mal-parecida. Seu mérito é fundamentalmente histórico, não estético; são documentos, não monumentos.

De tal feita, a série continuará, mas permito um parêntese a alguns monumentos.

LaocoonteDa escultura clássica, de época já tardia: “Laocoonte e seus dois filhos”, Hagesandro, Polidoro e Atenodoro, século I

Sesshu

Da soibukoga (水墨画), a pintura oriental com tinta e água: “Paisagem de outono”, Sesshū Tōyō (雪舟 等楊), século XV

Fayum

Da pintura mortuária de Al-Fayum, síntese egípcio-greco-romana: “Mulher”, autor desconhecido, séculos III-IV d.C.

Theotokos

Da arte bizantina, não numerosa: “Theotokos de Vladimir”, autor desconhecido, século XII

Le Très Riches Heures

Das miniaturas: “Très Riches Heures du Duc de Berry (Janeiro)”, irmãos Limbourg, século XV

Giotto

De Giotto (sim, merece uma categoria à parte): “Adoração dos Magos”, Giotto, século XIII

Mantegna

Do Rinascimento: “A lamentação sobre o Cristo morto”, Andrea Mantegna, século XV

Bella giardiniera

Do Rinascimento: “A bela jardineira”, Raffaello (período florentino), século XVI

Deposizione

Do Rinascimento: “A deposição”, Michelangelo, século XVI

Durer

Do Renascimento setentrional: “Mãos que rezam”, Albrecht Dürer, século XVI

Cestello

Do Rinascimento: “Anunciação Cestello”, Botticelli, século XV

Caravaggio

Do Barroco: “Crucificação de São de Pedro”, Caravaggio, século XVII

Vermeer

Do Barroco: “Oficial e moça rindo”, Vermeer, século XVII

Velázquez

Do Barroco: “Velha fritando ovos”, Velázquez, século XVII

Friedrich

Do Romantismo: “Paisagem de inverno”, Caspar David Friedrich, século XIX

Corot

Da Escola de Barbizon: “Mulher com pérola”, Jean-Baptiste-Camille Corot, século XIX

Renoir

Do Impressionismo: “Na terraça” ou “Duas irmãs”, Pierre-Auguste Renoir, século XIX

Canova

Do Neo-classicismo: “Madalena”, Antonio Canova, século XIX

Bouguereau

Do Academicismo: “A lição difícil”, William-Adolphe Bouguereau, século XIX

Roy Lichtenstein

Da Pop-art: “Moça se afogando”, Roy Lichtenstein, século XX

Asterix

Dos quadrinhos: “Asterix, Obelix e Ideafix”, Albert Uderzo, séculos XX e XXI

(infelizmente tive de reduzir o post, havia bem mais obras previstas)

segunda-feira, 12 novembro 2007

Obscenidades gregas

Filed under: clássico, língua — tresoldi @ 5:03 pm

…ou “minha descida irremediável ao não profissionalismo”.

Prestando homenagem ao Paulo, reuni as poucas fontes à disposição e selecionei alguns “palavrões” desta coletânea lingüística que chamamos de “grego clássico”. Em suma, trata-se da monumental “A History of Ancient Greek” editada por A.-F. Christidis (doações aceitas, por sinal) e um post do não menos valioso blog “Nestor’s Cup“, cuja fonte é certo artigo “Six Greek Verbs of Sexual Congress” de David Bain (1991).

A linguagem obscena, como sabiamente afirma Christidis, é necessária a qualquer comunidade: apesar de moralismos onipresentes que a contrastam, esta é uma maneira de estabelecer contato e favorecer a expressão, tanto para a criação de intimidade quanto para a intimidação de adversários e inimigos ou a ridicularização de oponentes. A relação necessariamente direta com as práticas sexuais é motivo para o papel histórico como um dos rituais de passagem na raiz da sociedade ocidental (e duvido seriamente que não o seja em todas as sociedades). Até mesmo imaginar que a altivez que a restringe seja uma particularidade nossa é pura tolice: Sermonides de Argos, por exemplo, escreveu sobre as “mulheres abelhas” que não freqüentam lugares ὄκου λέγουσιν ἀφροδισίους λόγους [óku légusin afrodisíus lógus] “onde se fala de sexo”.

O início mais sensato é aquele das próprias crianças: quanto as genitálias, tanto masculina quanto feminina, além dos costumeiros eufemismos quais ἀπόκρυφα [apókrifa] “escondido, oculto” e μόρια [mória] “parte, membro”, encontramos metáforas como γέρρα [guérra] “lugar fechado” e o extremamente popular κύων [kíoon] “cachorro”. É claro que há uma variedade de termos peculiarmente obscenos à disposição: para a genitália masculina, σάθη [sáthee] ou as mais ríspidas πέος [péos], κωλῆ [koolée] e ψωλός [psoolós]; a genitália masculina infantil, e provavelmente a masculina de dimensões menores em tons sarcásticos, era chamada de ὄφις [ófis] “cobra” e σαύρα [saúra] “lagartixa”, entre outros. O conhecido φαλλός [fallós] não era propriamente o pênis qual órgão sexual, mas a efígie de pênis utilizada em procissões religiosas; os sátiros a este relacionados foram batizados com expressões também relativas ao órgão sexual masculino, com nomes quais Τέρπων [Térpoon] “prazeiroso”, Οἴφων [Oífoon] “garanhão”, Πόσθων [Pósthoon] “com pênis de grandes dimensões” e Στύσιππος [Stísippos] “com uma ereção como de um cavalo”, dentre outros.

Para a genitália feminina, os termos literais são κύσθος [kísthos], κυσός [kisós] e, mais vulgarmente, ὔσσακος [íssakos]. As metáforas são especialmente relacionadas a animais e vegatais, como ἀηδονίς [aeedonís] “rouxinol” e λειμῶν [leimoon] “prado, campina”.

De qualquer modo, o termo fundamental para atos sexuais em grego (ou, em outras palavras, aquele que a maioria vai desejar aprender de cor) é βινῶ [binóo], para o qual a tradução que mantém a força de obscenidade é “foder” (diz-se que Sólon o teria utilizado em debates em oposição a ὀπυίειν [opinuíein], o sexo propriamente marital que na voz ativa é utilizado para o consorte, “assumir uma mulher”, e na voz passiva para a consorte, “ser desposada”). Como todos os demais termos deste post, é raro na prosa culta mas encontrado com certa freqüência em comédias, grafites, encantamentos, provérbios e sentenças; a variante βενῶ [benóo], por exemplo, vem de uma placa de bronze em Olímpia na qual são descritas as punições para quem praticasse atos sexuais dentro do templo.

Essencial e já tradicional é a citação de Aristófanes, Lisístra 934:

Μὰ Δί᾿ οὐδε δέομαι γ᾿, ἀλλὰ βινεῖν βούλομαι

(“Por Zeus, eu não quero um destes — mas quero foder!”).

É contudo provável que ao longo dos séculos do “grego antigo” o sentido tenha se especificado em certas ocasiões: Stratão, neste caso, limita o βινῶ ao sexo vaginal, contrapondo-o ao πυγίζειν [piguízein] masculino e menos vulgar, semântica reforçada por um tablete metálico que descreve os três orifícios feminínos aptos para o sexo, utilizando βινῶ para o sexo vaginal, πυγίζω [piguízoo] para o anal e λαικάζω [laikázoo] para o oral. Em compensação, há referências ao mesmo verbo em outros contextos, como a expressão βινεῖν στόματι [bineíin stómati] “foder com a boca”.

Como vimos a partir de Stratão, πυγίζω [piguízoo] é o termo utilizado para o sexo anal (vale contudo lembrar que o sexo masculino não se restringia ao anal, com ampla difusão do intrafemural, mas este é assunto para um post que fica, quiçá, para outra vez), derivado do relativamente trivial πυγή [piguée] (“traseiro”). Parece ter sido menos ofensivo que βινῶ, sendo utilizado apenas como repreensão ou protesto sem implicações diretamente sexuais (tal qual “vai te foder” em português); a exemplo, o termo foi encontrado grafado numa tigela, dirigido a quem pudesse pensar em furtá-la.

Em época bizantina λαικάζω substituiu βινῶ como termo geral para a prática sexual, mas é provável que inicialmente se restringisse apenas ao sexo oral praticado em homens. Quase todos os exemplos deste termo foram tramandados pela comédia ática; há exceções como um epigrama que descreve uma mulher idosa, fisicamente tão repulsiva que precisava se limitar ao sexo oral para obter a atenção de amantes, Luciano atribui a um homem efeminado o epíteto de λαικαλέος [laikaléos] em Lexiphanes e há uma ocorrência no relato do filósofo estóico Crisipo sobre uma lenda de Hera praticando sexo oral em Zeus.

Não por acaso, em sua magnífica resenha Diógenes Laertius diz que a linguagem adotada por Crisipo era mais próxima à das χαμαιτύποις [khamaitípois], “as que andam pelas ruas”, ou seja o mais baixo escalão de prostitutas, que à dos filósofos.
Entre os eufemismos para o ato sexual, cabe lembrar ποιῶ [poióo] “fazer”, συνευνάζομαι [sineunázomai] “deitar-se juntos” e παννυχίζω [pannikhízoo] “passar a noite”, além de um sem número de termos ligados à atividade rural e ao esporte, quais βόσκω [bóskoo] “alimentar” e κελητίζω [keletízoo] “cavalgar”.

Entre os termos não propriamente obscenos mas válidos a esta lista, cabe lembrar χαρίεντες [xaríentes] “libertino”, ἄστυτοι [ástitoi] “impotente”, ἡταιρηκῶς [eetaireekóos] “menino de aluguel” e a citação sobre uma cortesã chamada de δωδεκαμήχανος [doodekaméekhanos] “que conhece doze formas de amar”.

É evidente que as obscenidades não precisam ser limitadas à mera lexicalidade; é sempre possível divertir-se com cacofonias intencionais (principalmente para σκατός [skatós] “fezes, merda”) ou por meio de jogos semânticos como em Arquíloco:

ἡ δʹ ὥσπερ αὐλῶι βρῦτον ἤ Θρέιξ ἀνέρ
ἤ Φρὺξ ἕμυζε· κύβδα δʹ ἧν πονεομένη

(“Ela chupava como as Trácias e as Frígias [o fazem] com cerveja por um canudo, e estava curvada de tanta atividade”.)

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